Ponto Turístico

Community of Arturos

Contagem, MG, Brasil

Sobre a Atração

A Comunidade dos Arturos é um tradicional quilombo urbano localizado na Praça Nossa Senhora da Conceição, no bairro Eldorado, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mais do que um ponto de visita, é um território de memória, religiosidade e resistência negra, mantido por uma família extensa que preserva modos de vida, festas e saberes transmitidos entre gerações. A visita vale pela força cultural do lugar: ali se encontram histórias da escravidão, da liberdade conquistada, da devoção a Nossa Senhora do Rosário e de celebrações que seguem vivas até hoje. É um espaço importante para compreender a herança afro-brasileira em Minas Gerais e para conhecer de perto uma comunidade que transformou ancestralidade em identidade coletiva.

História

A Comunidade dos Arturos é uma das mais conhecidas comunidades quilombolas de Minas Gerais e um caso singular por estar inserida em área urbana, no município de Contagem. Sua história remete ao período pós-abolição e à permanência de famílias negras que construíram, no entorno de Belo Horizonte, um modo próprio de viver, trabalhar e celebrar. O nome “Arturos” está ligado ao tronco familiar de Arthur Camilo Silvério, figura lembrada pela tradição oral da comunidade como um dos antepassados centrais da linhagem. Ao longo do tempo, os descendentes passaram a ser reconhecidos pela força da família e pela continuidade de seus rituais e devoções. A formação da comunidade não pode ser entendida apenas como ocupação territorial. Ela representa a reorganização da vida de pessoas negras depois da escravidão, quando a liberdade formal não significou acesso imediato à terra, à segurança ou a oportunidades iguais. Como em muitos quilombos brasileiros, a solidariedade entre parentes e vizinhos foi decisiva para manter a sobrevivência material e cultural. Nos Arturos, a família ampliada se tornou a base da organização social, com laços de parentesco, ajuda mútua e responsabilidade coletiva sobre a preservação do território e das tradições. Um dos elementos mais marcantes da história dos Arturos é a religiosidade. A comunidade mantém forte devoção a Nossa Senhora do Rosário, a Nossa Senhora das Mercês e a santos associados à tradição afro-católica mineira, especialmente São Benedito. Essa fé se expressa em celebrações que misturam catolicismo popular, memória africana e práticas transmitidas oralmente. As festas religiosas não são apenas eventos festivos: são momentos de reafirmação da identidade comunitária, de transmissão de ensinamentos e de renovação dos vínculos entre os moradores, os antepassados e o sagrado. Em Minas Gerais, esse tipo de devoção tem longa trajetória entre populações negras, e os Arturos preservam uma das expressões mais consistentes dessa herança. Entre as manifestações mais conhecidas está a Festa de Nossa Senhora do Rosário, acompanhada por cantos, danças, procissões e a presença de grupos tradicionais, como os reinados e congados. Também é importante a Guarda de Congo dos Arturos, que ajuda a manter viva uma linguagem ritual muito característica da cultura afro-mineira. O congado, com seus tambores, vestimentas e cantorias, articula memória, fé e afirmação social. Nos Arturos, essas práticas não aparecem como folclore descontextualizado, mas como parte de um sistema vivo de valores, no qual cada gesto tem sentido religioso e comunitário. A transmissão entre gerações é central: os mais velhos ensinam os mais novos a cantar, tocar, organizar a festa e respeitar os fundamentos da tradição. A comunidade também se destacou por resistir às pressões do crescimento urbano de Contagem e da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com a expansão da cidade, o território dos Arturos passou a conviver com ruas, bairros densos e mudanças rápidas no entorno. Mesmo assim, a comunidade preservou seu espaço simbólico e suas referências materiais, mantendo casas, capela, áreas de convívio e lugares de celebração. Essa convivência entre o urbano e o tradicional deu aos Arturos uma importância ainda maior: eles se tornaram exemplo de quilombo contemporâneo, mostrando que território quilombola não é apenas área rural isolada, mas também espaço de identidade, memória e direito coletivo em meio à cidade. O reconhecimento público da comunidade foi se fortalecendo com o tempo, especialmente à medida que pesquisadores, educadores e movimentos negros passaram a destacar sua relevância histórica e cultural. Os Arturos tornaram-se referência para estudos sobre religiosidade afro-brasileira, patrimônio imaterial e resistência quilombola. Ao mesmo tempo, a comunidade passou a ser vista como um lugar de aprendizagem, onde visitantes podem compreender, de forma concreta, que a cultura negra mineira não pertence ao passado: ela segue ativa, organizada e produtora de sentido. Esse reconhecimento, porém, não elimina os desafios do cotidiano, como a necessidade de proteger o território, garantir a continuidade das práticas e equilibrar visibilidade pública com preservação da intimidade comunitária. Hoje, falar da Comunidade dos Arturos é falar de continuidade histórica. É falar de uma família que construiu, por gerações, uma forma própria de existência, baseada em parentesco, fé, festa, memória e resistência. Sua importância vai além de Contagem: ela ajuda a explicar a presença negra em Minas Gerais, o papel dos quilombos na história do Brasil e a vitalidade das culturas afro-brasileiras no espaço urbano. Visitar ou conhecer os Arturos é entender que patrimônio não é só prédio antigo ou objeto preservado. Também é gente, prática, canto, rito e uma história coletiva que resiste ao apagamento.

Curiosidades

- A Comunidade dos Arturos é considerada um quilombo urbano, ou seja, um território de resistência negra situado dentro da área urbana de Contagem. - A identidade do grupo está fortemente ligada à família de descendentes de Arthur Camilo Silvério, cuja memória é mantida pela tradição oral. - A devoção a Nossa Senhora do Rosário é um dos pilares da vida comunitária e se manifesta em festas, cantos e procissões. - A Guarda de Congo dos Arturos é uma das expressões mais conhecidas da comunidade e integra a tradição do congado mineiro. - A transmissão dos saberes ocorre principalmente dentro da família, com os mais velhos ensinando os mais novos a cantar, tocar e organizar as celebrações. - O território dos Arturos convive com o crescimento urbano do bairro Eldorado, o que torna sua preservação cultural ainda mais significativa. - A comunidade é frequentemente lembrada em estudos sobre patrimônio imaterial, religiosidade afro-brasileira e história quilombola em Minas Gerais.

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Praça Nossa Senhora da Conceição, Eldorado
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